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Grupo pede 'armas pela vida' em manifestação em Porto Alegre

Grupo pede 'armas pela vida' em manifestação em Porto Alegre

Ato ocorreu no Parcão e teve apoio de um grupo de vereadores da capital. Especialista em segurança critica mudanças no Estatuto do Desarmamento.

Um grupo de pessoas realizou uma manifestação na tarde deste domingo (19) no Parcão, no bairro Moinhos de Vento, em Porto Alegre. Os manifestantes pedem alterações no Estatuto do Desarmamento, que entrou em vigor em 2003 em todo o país.

O ato, que ganhou o nome "Armas pela Vida", foi convocado por um grupo defende que qualquer pessoa possa ter porte de arma. A manifestação é apoiada por um grupo de vereadores da capital que, na última semana, protocolou um pedido de abertura de um frente parlamentar na Câmara municipal.  

Os manifestantes carregam bandeiras do Brasil e cantam músicas. "Quero uma arma para poder me defender; quero uma arma para poder me defender", diz o refrão da música. A Brigada Militar estima a participação de cerca de 200 pessoas. Já a organização calcula a presença de cerca de 500 pessoas.

Criação de frente parlamentar

O empreendedor Pedro Meneguzzi, 25 anos, é um dos organizadores do evento. Para ele, a incapacidade do estado em proteger a população leva as pessoas a querer ter o direito de andar armadas. Pedro afirma que o grupo quer a manutenção dos requisitos para ter porte.

“Tem que seguir com testes psicológicos, antecedentes criminais, as mesmas exigências atuais. Porém, o delegado da Polícia Federal não vai poder negar se não houver motivo. Hoje, o bandido andar armado. Ele não compra arma legal e não tira porte de arma”, entende Meneguzzi.

Na última quarta-feira (15), Pedro acompanhou o protocolo da criação da frente parlamentar ‘Armas Pela Vida’ na Câmara de Porto Alegre. Assinada pelos vereadores Valter Nagelstein (PMDB), Mendes Ribeiro (PMDB), Comandante Nádia (PMDB), Mônica Leal (PP), Felipe Camozzato (Novo) e pelo Professor Wambert Di Lorenzo (PROS).

Um vídeo postado pela vereadora Mônica Leal em uma rede social mostra os parlamentares vestidos com camisetas onde aparece o desenho de um revólver dentro de um coração argumentando a favor da proposta (assista acima).

Assinada pelos vereadores Valter Nagelstein (PMDB), Mandes Ribeiro (PMDB), Comandante Nádia (PMDB), Mônica Leal (PP), Felipe Camozzato (Novo) e pelo Professor Wambert Di Lorenzo (PROS).

No requerimento, eles justificam que é urgente e necessária a alteração na Lei 10.826/03, que trata sobre o registro, posse comercialização de armas de fogo no país através do Projeto de Lei 3.722/12, que pretende modificar a lei de 2003.

"Com regras bem definidas, o PL 3.722/12 substancialmente, conduz o regramento do requerimento, verificação e emissão do porte de arma por normas e princípios legais e constitucionais que garantirão eficácia ao direito inalienável do cidadão em prover materialmente sua própria defesa, ante um Estado que nos últimos anos provou e prova a cada dia, sua incapacidade de fazê-la", diz o texto.

Para especialista, mais armas geraria mais violência
Para o especialista em segurança pública Rodrigo Azevedo, mudanças no atual Estatuto do Desarmamento gerariam maior violência na sociedade. O professor da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) entende que deve haver maior rigidez no acesso a armas e não o contrário.

“Ter arma não garante a segurança do indivíduo. Ter arma torna o cidadão alvo para pessoas interessadas em obter essa arma. Muitas vezes as armas que chegam nas mãos de criminosos são obtidas e compradas legalmente. Depois, são roubadas ou furtadas”, sustenta Azevedo.

Vereadores de Porto Alegre protocolam criação da Frente Parlamentar "Armas Pela Vida"  (Foto: Reprodução/Facebook)
Vereador Valter Nagelstein (E) é autor de frente
parlamentar (Foto: Reprodução/Facebook)

O vereador Valter Nagelstein afirma que o grupo não busca incitar a violência, mas garantir o direito à autodefesa e ‘frear o ímpeto criminoso’. Para o parlamentar, com a atual legislação, há uma relação de custo-benefício favorável aos criminosos.

“Hoje, o bandido tem a certeza que o cidadão está desarmado e que ele pode agir impunemente. Retiraram do cidadão o direito de legítima defesa. Queremos modificar essa situação”, diz Nagelstein.

Para Azevedo,a alteração na legislação sobre armamento geraria consequências terríveis para a segurança pública. Ele critica o movimento dos parlamentares em defender a liberação de armas para a população.

“Isso é de uma irresponsabilidade absoluta. Me admira que pessoas que representam no parlamento possam sustentar essa opinião. A situação já é calamitosa. A liberação da venda de armas dificultaria ainda mais combate ao crime”, coloca.

G1 Rio Grande do Sul