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EUA: Vídeo contesta versão policial sobre morte de jovem negro

EUA: Vídeo contesta versão policial sobre morte de jovem negro

O vídeo mostra imagens que indicam que o jovem negro não é culpado de roubo

A divulgação de um novo vídeo que revela os acontecimentos que antecederam amorte do jovem americano negro Michael Brown reascendeu a discussão sobre o caso de 2014. As filmagens de uma câmera de vigilância foram descobertas por um documentarista e contradizem a versão oficial da polícia.

Segundo o inquérito, Brown roubou uma loja e agrediu um funcionário pouco antes de ser confrontado pelo policial Darren Wilson. No entanto, as imagens das câmeras de segurança, exibidas na noite de sábado no documentário Stranger Fruit, sugerem que o incidente na loja foi uma negociação, e não um roubo.

As imagens mostram Brown entrando no estabelecimento à 1h15 do dia de sua morte e entregando um pequeno pacote aos funcionários, que apalpam, cheiram o conteúdo e entregam ao jovem duas caixas de cigarros em uma sacola de plástico. Antes de sair, Brown pede ao balconista que guarde a sacola atrás do balcão. Dez horas mais tarde, o jovem retorna.

As imagens que foram tornadas públicas pela polícia não mostram nenhum desses momentos. A gravação divulgada anteriormente começa a partir do momento que Brown retorna à loja e, com as mãos para trás, aguarda próximo ao caixa. O jovem se inclina sobre o balcão, pegando a sacola que havia deixado horas antes. Ao deixar o local, Brown discute e empurra um funcionário.

Segundo Jason Pollock, diretor do documentário Stranger Fruit, o novo vídeo contradiz a versão da polícia. Para o cineasta, o que acontece na loja é uma troca entre um saco de maconha e as caixas de cigarro, não um roubo. “Havia um acordo, e é o que verão neste vídeo”, diz no documentário Lesley McSpadden, mãe de Michael Brown. “Houve uma espécie de troca”.

O advogado da loja e seus funcionários negaram a versão. “Não havia acordo, estas pessoas não trocaram cigarros por erva. O motivo pelo qual ele devolve a sacola antes de sair é porque continha produtos não pagos, e (os funcionários) queriam que ele os devolvesse”, disse Jay Kanzler ao jornal The New York Times.

Michael Brown foi morto pelo policial Darren Wilson com vários tiros em agosto de 2014 na cidade de Ferguson, na periferia de St. Louis, no Estado americano de Missouri. O jovem estava desarmado e se envolveu em uma luta corporal com o oficial, segundo o inquérito.

De acordo com o chefe de polícia de Ferguson, Tom Jackson, Wilson abordou Brown e um amigo porque os dois “bloqueavam a rua”. Segundo essa versão, o policial não sabia que minutos antes o jovem tinha se tornado suspeito por ter roubado a loja de conveniência e, portanto, não teria sido o roubo o motivo do assassinato.

Assista a reportagem: 

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