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Cientistas têm plano para trazer de volta tigres extintos na Ásia

Cientistas têm plano para trazer de volta tigres extintos na Ásia

A ideia dos pesquisadores é usar uma espécie geneticamente muito parecida ao tigre-do-cáspio, extinto desde a década de 1960, para repovoar algumas regiões

Cientistas têm um plano para trazer de volta tigres que viviam na Ásia Central, considerados extintos desde a década de 1960. O tigre-do-cáspio (Panthera tigris virgata), uma das maiores espécies de felino que já viveu sobre a Terra e era comum na região da Turquia, Irã e Noroeste da China, desapareceu devido à caça e perda de habitat. A ideia dos pesquisadores, segundo estudo publicado na última edição do periódico Biological Conservation, é utilizar uma subespécie geneticamente muito semelhante ao tigre extinto, que poderia se adaptar às condições ambientais e repovoar as regiões em que o tigre-do-cáspio vivia. Os biólogos acreditam que o tigre-de-amur, ou tigre-siberiano (Panthera tigris altaica), que originalmente vive nas frias florestas de bétulas da Rússia, é o melhor “análogo” do tigre que desapareceu.

Felino extinto

 
Na década de  1930, países da extinta União Soviética ofereciam recompensas para aqueles que envenenassem ou prendessem os tigres-do-cáspio, que tinham até três metros de comprimento e mais de cem quilos, e ameaçavam as novas cidades que se expandiam. Projetos de agricultura e irrigação da época destruíram o habitat dos grandes felinos, o que levou tanto o animal como suas presas a desaparecer.

Segundo os cientistas, duas áreas seriam ideais para fazer a reinserção dos tigres, ambas no Cazaquistão. Elas foram escolhidas levando em consideração o quanto a terra é utilizada pelas pessoas – o local mais promissor é um espaço de 7.000 quilômetros quadrados no delta do rio Ili, que nasce na China e desemboca no Cazaquistão. Modelos de população de animais que os tigres costumam caçar – como javalis selvagens e algumas espécies de veados – mostraram que a área poderia suportar uma população de até cem tigres por cinquenta anos.

“O território do tigre-do-cáspio era vasto”, disse James Gibbs, biólogo e membro da equipe de pesquisadores que realizou o estudo, em comunicado. “Quando eles desapareceram, o número de nações que abrigava populações de tigres foi reduzido a mais da metade.”

Analisando a literatura científica, os pesquisadores descobriram que os tigres-do-cáspio já viveram em áreas entre 800.000 e 900.000 quilômetros quadrados, em territórios próximos a riachos ou córregos. Cada dois ou três animais ocupava uma área de 100 quilômetros quadrados.

O tigre-siberiano parece ser a única subespécie que vêm crescendo em número de indivíduos nos últimos 65 anos. Os cientistas estimam que entre 520 e 540 animais vivam na natureza e fazer a mudança de alguns deles para as áreas de reinserção seria suficiente para restabelecer a população em cinquenta anos.

“É vital restaurar populações nessas áreas. Só isso já levaria de cinco a quinze anos”, disse Gibbs.

O governo do Cazaquistão e as comunidades locais apoiam o projeto de reinserção dos tigres-siberianos, principalmente porque esses animais podem trazer benefícios econômicos ao estimular o turismo selvagem, pequenos negócios e as novas ofertas de emprego.

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